RONDONOTICIAS segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020 - Criado em 11/10/2001

Crônica de Fim de Semana: REGINA DUARTE, A Noiva da Cultura Nacional - Arimar Souza de Sá


26/01/2020 10:37:58 - Atualizado

CRÔNICA DE FIM DE SEMANA

REGINA DUARTE, A NOIVA DA CULTURA NACIONAL

- Arimar Souza de Sá

Eu sempre me visto de entusiasmo e prazer quando vejo atriz Regina Duarte atuando nas novelas da Globo.

Seja interpretando doces personagens como em Malu Mulher, em que era a protagonista, recém divorciada, que tentava ganhar a vida sozinha, sem sofrer com os preconceitos da época, como na pele da estabanada Maria do Carmo, em Rainha da Sucata, quando começou a vida; todavia enriqueceu com os negócios do pai, um vendedor de ferro velho, de tal maneira que se tornou uma bem-sucedida empresária, mas manteve intactos os hábitos de seu passado humilde.

O que dizer da superlativa viúva Porcina, escandalosa, cômica e exuberante em Roque Santeiro? Em todas, sem exceção, ela sempre foi magistral, um show à parte, por isso me encantou profundamente.

E olhe, compridos anos já se registram nos umbrais do caminho de nossas vidas, eu como telespectador e fã, e ela como artista de seu próprio espetáculo. Uma mulher forte que, pelos seus próprios méritos, se tornou poderosa e bem celebrada no altar das estrelas da teledramaturgia brasileira.

Pelo que sei, na condição de residente nestas longínquas paragens do poente, Ela, Regina, a dama do sorriso, sempre rumou pelos trilhos normais da existência humana. É uma pessoa sem frescura, sem chiliques, gente fina... não capitalizou divergências.

Como tiete da Regina, eu a vejo sempre assim, pela luneta do bem, à espreita de um bom papel para se apresentar na telinha da Globo e encantar, na primeira cena, os lares do país.

Agora, nesta semana, pelo que é de verdade sabida, Regina optou pelo seu livre arbítrio e deve aceitar o convite do presidente Jair Bolsonaro, e alçar outro voo; outro desafio, em sua carreira vitoriosa: o de primeira mulher na hierarquia da Pasta Da Cultura nacional.

O fato, de notório teor político, “viralizou” em todo o país, de forma que descontentou meio mundo na Globo, empresa em que trabalha há mais de 40 anos e , no cotidiano, esta corporação faz ataques em seus telejornais, ao presidente Bolsonaro. Isso, sem contar com a ala da esquerda, tendo à frente o “descompensado” ator José de Abreu que, de forma grosseira, deselegante e vil, faz ataques e chacotas à atriz, pelas redes sociais, tentando diminuir sua estatura.

De certo, o exercício de cargo público requer: paciência para aceitar desaforos, inspiração para planejar, inteligência para decidir, e uma bússola para captar a navegação dos problemas, que são muitos, e enfrentá-los com o furor necessário. É mais ou menos como o papel de um ator de novelas, tem que saber encantar e,  nisso, ela é eximia.

Lembrar é sempre uma forma de adornar à memória fatos marcantes da vida! Neste episódio, como no enredo da novela Roque Santeiro, disse em tom de despeito o ator Lima Duarte: “Sinhozinho Malta lançou-se à presidência e a “viúva Porcina” para a Secretaria da Cultura”.

Ao receber o convite, sempre corajosa, ela foi explícita: “Estou noivando ainda, não estou preparada para o cargo. E quem está? Respondeu na lata o presidente Bolsonaro, sempre direto, reto, o mito da direita, o Bozo da esquerda, não perdoa. Tomara que o prenunciado noivado, acabe num casamento feliz.

Regina Duarte deve assumir o comando da Cultura, a pasta mais conturbada do governo atual, da qual o ex-secretário caiu após a infelicidade de um comentário grotesco, hitleriano, que incomodou a sociedade israelita no Brasil.

Aceitando o cargo, a atriz terá que familiarizar-se, por dentro, com a Lei Rouanet, com vistas ao fomento da cultura nacional e abrir, desde logo, espaço para a dialética temporal, juntando sob sua caneta, todos os matizes contrários.

Tratar de cultura é assim: As portas quando se abrem para algo novo deixam entrar o de melhor e o de pior, e os agentes de mudanças trazem para o espetáculo suas ansiedades, suas incertezas, suas verdades a bordo de um carrossel puxado por corcéis malucos. Há os que deliram. Há os que aceitam, outros que conspiram, tudo lembrando Hamlet nas comédias de Shakespeare.

Cultura é isso, é nascer, renascer e recriar-se. É diluir-se ao espaço e reinventar-se no tempo.

Regina certamente encontrará desafios tantos, maiores que as estrelas do céu e outros que já enfrentou, mas não deve desanimar.

Como gestora, vai lidar com as retóricas de um orçamento de governo, com os princípios de licitação, com a emperrada burocracia do Estado e seus asseclas... Por isso, ela tem que segurar o tranco, escutar mais que falar. Listar os problemas e direcionar seus esforços para a conciliação.

Como Mandela, pensar a Nação como um todo, com os seus defeitos e vieses, e ter jogo de cintura para tratar com maestria com aqueles que pensam diferente dela.  Não há necessidade de estrelismos, porque estrela ela sempre foi.

Por isso, Regina, arregale os olhos para a frente, para cima e para baixo, para os lados nem se diga. Junte os pedacinhos  que quebraram ao longo de sua caminhada,  se reinvente.  Mas não deixe de ouvir o sino do amor e da experiência nas catedrais dos teus sonhos.

Afinal nobre atriz e dama do teatro e da TV, vencer é o seu lema. O meu, como fã, é de aplaudi-la desejando-lhe o mesmo sucesso que obtido com suas interpretações, como Cultora da Arte. 

No mais, aceite os desafios do cargo e, merda, como dizem os seus colegas, nessa sua nova estreia, desta vez não mais como Namoradinha do Brasil, mas como gestora número um dos palcos e Noiva da Cultura Nacional.

AMÉM!

                                                                                                        


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