Publicado em 22/07/2011 10h54

ARTIGO

Segundo Luiz do Sindprof ele estava no cainágua
Quando viu o chupa cabra dando um passeio em cima de uma canoa.
Ele passou uma noite inteira andando de táxi
E deu um calote no chofer Marcos Uchoa
Quem conhece esse rapaz sabe que ele não mente
Só fala a verdade e não é um cabra de falar atoa.

Ele está em tudo quanto é lugar
Já pegou até carona com meu amigo João da moto
Ele está se preparando
Na próxima eleição vai pedir o seu voto
Ele é bonito, charmoso, gostosão, envolvente, caliente...
O Neizinho e o fotografo Barata afirmam que ele não sai feio na foto.

O mistério da meia noite gostou de Porto Velho
Está assombrando o povo na beira do Madeirão
Dessa vez ele atacou
Lá pras bandas do Caipirão
O babado não foi fraco
Com o chifrudo fazendo aprontação.

A vítima dessa vez foram trigêmeas
As cearenses: Josefina, Querumbina e Rosalina
Parecem três princesas
Pense, em três belezas de meninas!
Elas moram na nova Porto Velho
Ao lado do meu amigo Rafael da oficina.

As trigêmeas saíram do forrobodó
Com o mesmo príncipe encantado que esteve no papo de esquina
Mas, o pior estava por vir
Nas ruas que dão homenagem a países da América Latina.
Quando chegou na rua Venezuela o príncipe se transformou
Era o rabudo, com chifre grande, olhos de brasa, botando fogo pela venta, fedendo a enxofre misturado com parafina.

Josefina: Assombrou-se!
E perdeu a sandália de currulepe no meio da sua carreira
Querumbina: Está traumatizada e não quer mais saber de festa em Porto Velho
Rosalina: Aqui não quer ficar e vai pra Fortaleza na próxima sexta-feira
Zé Ceará está amolando um terçado, um facão e uma faca peixeira
Pra pegar o cadeirudo que foi responsável na sua família provocar essa desgraceira.

A cometiva de demônios fizeram a festa
No carnaval fora de época da Avenida Jorge Teixeira
Estavam: Tranca rua, Rapadura preta, Papaconha e Sururru
Não foi pequena a bagaceira
Daqui a nove meses a população vai aumentar
A solução é aumentar o estoque de mamadeiras.

No carnaval fora de época
Raimundo liderança, namorou uma noite inteira com uma gata surreal
Mas, o maluco não sabia.
Que a cidade está empestada por coisas do mundo sobrenatural
Depois da manguaça meteu a mão debaixo da saia da capetona
Agarrou foi numa macaxeira que ele nunca agarrou coisa tão igual.

Diogo professor é metido a namorador
Ele entrou numa furada lá pras bandas do forró xiri quer pau
Depois da noitada foi pra um motel com uma loira exuberante
Tomou logo dois viagras e foi pra uma casa granfina de nossa capital
Quando estava nos finalmentes, a voz da galega esturrou: - Eu te amo meu amor!
Era uma capeta. No velho deu uma caganeira, quando ele conta essa estória faz o corroa passar mau.

Segundo Campêlo cobrador
Ele está na casa das Sete Mulheres por mais de uma semana
Está esplendorosa, em forma de donzela acreana.
E só quer fazer sexo sacana
Ela acertou Raimundo vigilante
Que está com o feofó doendo por mais de uma semana.

O capiroto está aparecendo em forma de mulher
A última vez que aprontou foi no inferninho do Xirizau
Dessa vez quem caio na arapuca
Foi o metido a machão Severino Galalau
Depois do rastapé tentou fazer amor no escuro de um matagal
Levou uma surra de cipó titica, que dona Rozinha deu-lhe um banho de mastruz, com água e muito sal.

Na Avenida Calama o vulco vulco foi grande na última sexta feira
Segundo o Rondoniadinamica o rebuliço foi nas imediações da Avenida Farquar
Ele assombrou o cachorro, macaco, gato, periquito e os moradores da redondeza.
Este BO está registrado no Distrito e teve a presença da Polícia Militar
É um macaco grande arrastando correntes com cheiro de gambá
É o mesmo assombroso que deu uma carreira em cinco Índios Suruis que vendiam artesanato no Arraiá Flor do Maracujá.

Dona irmã Zuleide lá do Tancredo Neves
Evangélica de convicção
Disse que viu a coisa feia
Depois de um culto ele saio em sua perseguição
Ela estava de bicicleta
Ele só parou de perseguir a veia, quando ela passou o pé do ouvido no chão.

Ronaldo bombado é metido a gostosão
No forasteiro, ele tem fama de espancador de bichinha
Mas, sábado de madrugada.
Ele foi surpreendido no boteco da Lazinha
Segundo o professor Junior Freire
Ele foi parar na policlínica Amilton Goldin depois de uma taca que levou de uma mona capetinha.

Zezinho cadeirante é um excelente vizinho
Da coisa ruim esta semana levou uma carreira
Terça-feira ele vinha da escola, quando escutou uma voz:
- Me de uma carona nessa sua cadeira!
O deficiente saio em disparada, não escutou conversa, que o vento batia na cabeleira.
A disparada só terminou quando a cadeira de rodas se esbagaçou na vala na frente da casa do meu amigo Sergio Ferreira.

Se tem capeta machão
Também tem o capeta mulher
Também o capeta GLBTT
Toda invenção humana você sabe como é que é...
O cadeirudo está à solta
Eu estou na cola dele, quero entrevistalo me comuniquem onde ele estiver.


Dedico esse cordel ao menestrel poeta popular pernambucano José Pacheco, que escreveu “A chegada de Lampião no inferno” um clássico da história de literatura de cordel brasileira.


A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO - POR JOSÉ PACHECO

Um cabra de Lampião
por nome Pilão Deitado
que morreu numa trincheira
um certo tempo passado
agora pelo sertão
anda correndo visão
fazendo malassombrado.

E foi quem trouxe a notícia
que viu Lampião chegar
o inferno nesse dia
faltou pouco pra virar
incendiou-se o mercado
morreu tanto cão queimado
que faz pena até contar

Vamos tratar na chegada
quando Lampião bateu
um moleque ainda moço
no portão apareceu:
Quem é você, cavalheiro?
Moleque, eu sou cangaceiro:
Lampião lhe respondeu.

- Moleque não, sou vigia
não sou seu pareceiro
e você aqui não entra
sem dizer quem é o primeiro:
- Moleque, abra o portão
saiba que sou Lampião
assombro do mundo inteiro.

Vigia disse assim:
fique fora que eu entro
vou conversar com o chefe
no gabinete do centro
por certo ele não lhe quer
mas conforme o que disser
eu levo o senhor pra dentro.

Lampião disse: vá logo
quem conversa perde hora
vá depressa e volte já
eu quero pouca demora
se não me derem ingresso
eu viro tudo asavesso
toco fogo e vou embora.

O vigia foi e disse
e satanás no salão:
saiba a vossa senhoria
que aí chegou Lampião
dizendo que quer entrar
e eu vim lhe perguntar
se dou-lhe ingresso ou não.

- Não senhor, satanás disse
vá dizer que vá embora
só me chega gente ruim
eu ando muito caipora!
eu já estou com vontade
de botar mais da metade
dos que tem aqui pra fora.

- Lampião é um bandido
ladrão da honestidade
só vem desmoralizar
a nossa propriedade
e eu não vou procurar
sarna pra me coçar
sem haver necessidade.

Leve cem dúzias de negros
entre homem e mulher
vá lá na loja de ferragem
tire as armas que quiser
é bom avisar também
pra vir os negros que tem
mais compadre de Lucifer

E reuniu-se a negrada
primeiro chegou Fuchico
com o bacamarte velho
gritando por Cão de Bico
que trouxesse o Pau de Prensa
e fosse chamar Tangença
em casa de Maçarico.

E saiu a tropa armada
em direção do terreiro
com faca, pistola e facão
cravinote e granadeiro
uma negra também vinha
com a trempe da cozinha
e o pau de bater tempero.

Quando Lampião deu fé
da tropa negra encostada
disse: só na Abissínia
oh! tropa preta danada!
o chefe do batalhão
gritou de arma na mão;
- Toca-lhe fogo, negrada!

Nessa voz ouviu-se tiros
que só pipoca no caco
Lampião pulava tanto
que parecia um macaco
tinha um negro neste meio
que durante o tiroteio
brigou tomando tabaco.

Acabou-se o tiroteio
por falta de munição
mas o cacête batia
negro rolava no chão
pau e pedra que achavam
era o que as mãos pegavam
sacudiam em Lampião.

Lucifer mais satanás
vieram olhar do terraço
todos contra Lampião
de cacête, faca e braço
o comandante no grito
dizia: briga bonito
negrada, chega-lhe o aço!

Lampião pôde apanhar
uma caveira de boi
sacudiu na testa dum
ele só fez dizer: oi!...
Ainda correu dez braças
e caiu enchedo as calças
mas eu não sei dizer o que foi.

Lampião pegou um seixo
rebolou-o num cão
mos o que; arrebentou
a vidraça do oitão
saiu fogo azulado
incendiou o mercado
e o armazém de algodão.

Satanás com esse incêndio
tocou no búzio chamando
correram todos os negros
que se achavam brigando
Lampião pegou a olhar
não vendo com quem brigar
também foi se retirando.

Houve grande prejuízo
no inferno nesse dia
queimou-se todo dinheiro
que satanás possuia
queimou-se o livro de pontos
perdeu-se vinte mil contos
somente em mercadoria.

Reclamava Lucifer:
horror mais não precisa
os anos ruins de safra
agora mais esta pisa
se não houver bom inverno
tão cedo aqui no inferno
ninguém compra uma camisa.

Leitores, vou terminar
tratando de Lampião
muito embora que não possa
vou dar a explicação
no inferno não ficou
no céu também não entrou
por certo está no sertão.


*Francisco Batista Pantera – É Professor, Jornalista, Poeta e Dirigente do PCdoB.
 

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