Publicado em 15/07/2011 14h24 - Atualizado em 19/07/2011 15h25
COLUNA A MARCA DA FERA: Eu sou a marca da Fera, o Capeta existe e está infernizando Porto Velho
Pense... Numa fuzarca da grande
Lá pras bandas do papo de esquina
Uma gata ficou muito doida
Depois do efeito da cagibrina
Jurou ter dançado por duas horas
Com o capeta trajado de galã da Argentina.
A noite estava muito quente
Quando a máscara do rabudo derreteu
A menina deu um grito e desmaiou
O caderudo logo pro banheiro correu
Deu umas quatro ou cinco piruetas
E de repente se escafedeu.
O gringo que estava numa mesa
Se armou logo com um facão
O general Washington deu varias rasteiras
Mais nenhuma atingiu o capetão
Nunca vi um bicho tão veloz e ligeiro
Afirmou o meu amigo Zé do facão.
No meio desse aranzé
Os curiosos correram para o banheiro
Encontraram uma calça, uma camisa fedorenta e um chapéu feito de couro de morcego
No mictório era só cheiro de enxofre não tava pequeno o pizeiro
O meu amigo Paulinho deu uma bilola
E perdeu a botina na carreira o meu amigo Risadinha serigrafeiro.
Na Avenida Campos Sales gritava o Cabo Anjo:
- Se vier pra cá ele entra no pau
Na esquina do Top Gan gritava o Rogério:
- É hoje que eu acerto as contas com esse destruidor ambiental
Do outro lado da calsada gritava o Evandro:
- Muito bem camarada você é o nosso mentor intelectual.
Segundo meu amigo Vinicius
Viu o chifrudo fumando em cima do viaduto
Aquele que fica no trevo do Rock
Ele não sabe explicar se era maconha ou se era charutos
Será que tem coisa botada
Pra não sair os viabirutos?
Segundo o serviço de inteligência da ABIN
Pelo interior ele aprontou
Ele estava no corpo daquele pastor
Que pelo cunhado se apaixonou
Ele esteve no Jarú
Infernizou o juízo de um maluco que o fim do mundo profetizou.
Segundo o carioca caçambeiro
Desenterraram um capiroto na construção de Jirau
Foi justamente ele que foi responsável
Nos canteiros de obras por aquele quebra pau
Segundo Adelson motorista depois daquele moído
Ele foi pra o Jacy tomar cachaça, fumar maconha e perturbar a ordem social.
Foi porque ninguém viu
Mas, ele estava na assinatura PEC da transposição
Segundo Babalu catimbozeiro
Ele roubou a caneta da presidenta que estava no seu blusão
Quem resolveu essa parada
Foi o garçom que estava com outra caneta na mão.
Ele tentou se alojar no Palácio do Governo
O bicho é traiçoeiro e ordinário
Ele queria influenciar o Governador
Pra dar auxilio moradia para os secretários
Mais o homem tem o santo forte
E não caiu no conto do vigário.
Ele anda com sarandaia, cão coxo, Zé pelintra, tranca rua e Fofachão
É grande a muvuca na sua cometiva.
Irmão, Valter Araújo
Se essa mundiça aparecer, expulse logo da Assembléia Legislativa.
Se sentir o cheiro de enxofre no ar
Grite: Xô Satanás!... Como um General, em grande voz ativa.
Cuida-se Roberto Sobrinho
Dizem que ele anda rondando a prefeitura
A procura de uma mulher metida a machão
Que da piti e é cheia de frescura
Ele não quer negócio no mercado cultural
Por que o ambiente la é de alegria e muita cultura.
Ele é a Maria louca
Andando toda noite na estrada de ferro
O grito do demo é tão potente
Que ele grita aqui e em Guajará se escuta o seu berro
Quem conhece todas as lendas da Maria Fumaça
É o sindicalista combativo Aroldo do Sintero.
Quem conta essas e outras estórias com detalhes
É o professor Alziro Zaru
Se quiser fazer uma pesquisa mais profunda
Entreviste Maria Surucucu
O belzebu existe e está em Porto Velho
E bate o seu ponto toda noite na boate Escalibu.
A população de Porto Velho
Só fala nesse funaré por mais de uma semana
Essas coisas só existem
Em quem tem a mente profana
Quanto mais ignorante for o ser humano
Mais, ele acredita no inferno, no mundo do sacana e nessas lendas urbanas.
Dedico esse cordel ao grande poeta da literatura brasileira Ferreira Gullar.
TRADUZIR-SE
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
* Francisco Batista Pantera - Professor, Jornalista, Poeta e Dirigente do PCdoB.




