Publicado em 13/09/2012 11h23 - Atualizado em 13/09/2012 11h26

Território do Guaporé: Área que deu início a Rondônia completa 69 anos

Nesta quinta-feira (13) completa 69 anos em que uma parte da área dos Estados do Mato Grosso e Amazonas foi desmembrada, ganhando a denominação de Território Federal do Guaporé, em referência ao rio Guaporé, que divide o Brasil da Bolívia.

 

Segundo historiadores, a divisão ocorreu por questões estratégicas após a visita de três dias do presidente Getúlio Vargas a Porto Velho, quando foi recebido pelo então diretor da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM), Aluízio Pinheiro Ferreira, nomeado em seguida como primeiro governador.

 

Pelo Decreto-Lei 5839 de 21 de setembro de 1943, o Território Federal do Guaporé foi dividido em quatro municípios: Lábrea, Porto Velho, Alto Madeira e Guajará-Mirim. Dois anos depois, por força do Decreto-Lei 7470 de 17 de abril de 1945, Porto Velho e Guajará-Mirim tornaram-se os únicos municípios do Guaporé, que em 1956, no governo Juscelino Kubitschek, por meio da Lei 2731, passou a ser Território Federal de Rondônia, uma homenagem do segundo governador, Joaquim Vicente Rondon, ao seu tio Cândido Mariano da Silva Rondon, que marcou seu nome na história ao abrir caminhos desbravando terras, lançando linhas telegráficas, fazendo mapeamentos da área e, principalmente, estabelecendo relações cordiais com os índios nas regiões Centro-Oeste e Norte.

 

Em 13 anos, além de Aluízio Ferreira e Vicente Rondon, o Guaporé também foi governado por Frederico Trotta, Joaquim Araújo Lima, Petrônio Barcelos, Jesus Burlamaqui Hosanah, Ênio dos Santos Pinheiro (que faleceu em 9 de agosto de 2012), Paulo Nunes Leal e José Ribamar de Miranda.

 

Já em dezembro de 1981, pelo Decreto Lei 41, sancionada pelo então presidente, João Batista de Oliveira Figueiredo, foi criado o Estado de Rondônia, cuja instalação se deu em 4 de janeiro do ano seguinte, tendo como primeiro governador, Jorge Teixeira de Oliveira.

 

 

A professora e historiadora Yêdda Pinheiro Borzacov era ainda muito pequena quando o território do Guaporé foi criado, mas a data ficou marcada e passou a fazer parte da sua vida e com autoridade de quem estava lá, ela relata que a criação do território criou um grande alvoroço na pequena Porto Velho.

 

Era aniversário do médico Ary Tupinambá Penna Pinheiro, um dos pioneiros e na mesma festa comemorava-se o batizado da então pequena Yedda. Festa animada, muitos convidados, até que a funcionária da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, Jacira Figueiredo, chega a casa do dr. Ary gritando febrilmente que acabara de ouvir no programa de rádio A Voz do Brasil a notícia de que o presidente Getúlio Vargas havia criado o território do Guaporé.

 

A festa deixou de ser particular para se tornar pública e em plena oito horas da noite, quando normalmente não se via movimento nas ruas de Porto Velho, porque todos se recolhiam muito cedo, houve um grande alvoroço com vivas a Getúlio e a Aluizio Ferreira, queima de fogos, passeata e muita alegria.

 

Borzacov conta que a notícia já era aguardada para qualquer momento, uma vez que o então diretor da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, Aluizio Ferreira fazia constantes intervenções ao presidente Vargas pela emancipação de Porto Velho e criação do território. Aluizio foi de imediato nomeado o primeiro governador e no dia 24 de janeiro de 1944 foi instalado efetivamente o Território Federal do Guaporé, agora com a nomeação de secretários, prefeito e outras autoridades.

 

Segundo a professora e historiadora Yedda, Aluizio Ferreira costumava dizer que a Madeira Mamoré era a mãe de todos os territórios do Brasil, porque a partir dela foi criado o Território do Guaporé e em seguida vieram outros, criados também pelo presidente Vargas.

 

O secretário-chefe da Casa Civil, Juscelino Amaral, nascido nas cercanias do Vale do Guaporé anos depois, conta que a data era sempre comemorada civicamente nas escolas públicas. “Havia leitura da ordem do dia, apresentação da história, retratando a importância da criação do Território”. Segundo ele era uma data muito celebrada, mas que acabou caindo em desuso com a transformação do território em Estado, mas que ainda assim é importante ser lembrada, porque Rondônia é hoje o resultado da luta de pioneiros que lutaram pela emancipação e pelo território até que chegasse na condição atual.

Autor: Decom

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