Publicado em 17/08/2012 19h22

Pastor rejeita administração religiosa, diz que trânsito não tem solução definitiva e critica populismo

O sexto candidato convidado pela redação do jornal eletrônico Rondoniadinamica a participar do rol de entrevistas especiais das eleições 2012 na capital é o pastor Aluízio Vidal, do PSOL. O socialista é casado, pai de duas filhas, pastor presbiteriano, psicólogo, tem mestrado em Teologia e é professor. Vidal nasceu em Dourados no Mato Grosso do Sul e está há 21 anos em Rondônia. Sucinto, criticou a administração do PT em Porto Velho, mas garantiu que suas críticas dizem respeito à gestão e não às pessoas envolvidas.

“ – O próprio PSOL é fruto de uma reflexão dentro do PT. Para alguns, o partido acabou descaracterizando-se da esquerda e, por isso, foi criada a nossa sigla. A administração petista na capital foi aquém se pensarmos na quantidade de recursos que recebeu. Esta quantidade de recursos não foi bem aproveitada, em nossa visão” – disse Aluízio.

Para o pastor, a sigla trabalhista se distanciou da população.

“ – O PT tornou-se burocrata e sua administração foi muito partidária e menos popular. Poderia ter sido muito melhor. Tiveram em mãos o mandato que mais recebeu dinheiro e foi o que menos aproveitou. Não queremos fazer campanha atacando outros candidatos, mas não é possível perder o senso crítico. Não quero focar pessoas, mas a administração em si, com certeza, não foi boa”, criticou.

Aluízio Vidal é um dos candidatos que dispõe de menos recursos financeiros para a campanha eleitoral. Questionado sobre como isto afetaria seu trajeto político, respondeu:

“ – Acredito que a própria campanha tenha uma ação político-pedagógica. Quando participamos do processo (eleitoral) estamos dizendo que tipo de política fazemos e que tipo de política acreditamos. Temos uma proposta! Ela é pedagógica pois quer ensinar a população a importância de participar sem esperar nada em troca. Infelizmente não é possível fazer nada quando a população privilegia as grandes campanhas financeiras. Trata-se de escolha. Para se ter um exemplo, no último pleito concorri para o Senado Federal e fiz 43.800 (quarenta e três mil e oitocentos votos) numa campanha tão magra quanto esta. Dá um prazer enorme em ver as pessoas se envolvendo e tirando dos seus bolsos para ajudar. Estimula. Ninguém faz campanha para uma geração” – frisou o pastor.

Além do mais, o candidato do PSOL disse que o Brasil está melhorando no sentido de aprender a votar. Para ele, o nível de educação que o País tem faz com que os eleitores fiquem ainda suscetíveis a manipulações como aperto de mãos, tapinhas nas costas e concessão de gasolina.

“ – Ainda precisamos crescer. Melhoramos, mas temos que crescer! Somos uma Democracia nova num país sub-alfabetizado”, complementou.

SOCIALISMO NA PREFEITURA

Aluízio quer a valorização social na administração caso seja eleito e diz também que o socialismo pregado pela legenda não é apenas para robustez da sigla:

“ – Precisamos pensar na valorização da agroindústria, da agricultura familiar e outros procedimentos que serão uma tônica. No PSOL existe sim ideologia. Tivemos formação política com sociólogo do partido. Tivemos encontro de candidatos em São Paulo para dar uma verve ideológica aos que já ingressaram e aos interessados. No nosso partido, a ideologia é uma das suas principais forças. Queremos desbancar monopólios de grandes empresas como na área do transporte público e no recolhimento de lixo. Para uma cidade funcionar, é preciso fazê-lo com urgência”,anunciou .

INTELECTUALMENTE SUPERIOR

Nos debates que participou e entrevistas que concedeu, Aluízio Vidal mostrou que faz jus ao seu currículo demonstrando, aparentemente, eloqüência e intelecto superiores aos demais candidatos. Em decorrência disso, o pastor garante que é preciso buscar pessoas que ajudem na formação política e na campanha; afirma veementemente que não se rebaixará ao populismo nem para ganhar a eleição:

– É uma dificuldade enorme que a gente encontra ao se deparar com esta situação. O candidato populista tem um acesso mais rápido fácil às pessoas. Mas nós aproveitamos a mobilização de pessoas voluntárias para alcançar o maior número de eleitores possível. Se não temos a linguagem adaptada e a pré-disposição consciente de fazer o joguinho populista que algumas pessoas fazem, acreditamos que podemos mobilizar idéias numa campanha envolvente e que conclame a própria sociedade. É preciso que a campanha não seja só do candidato e das pessoas pagas por eles. É necessário que o povo adquira uma cultura de participar dos pleitos pelos que se pode ganhar em conjunto, como cidade. Queremos uma sociedade participativa, enquanto enfrentamos campanhas que compram as carências das pessoas”.

TRÂNSITO

Roberto Sobrinho (PT), atual prefeito de Porto Velho, já admitiu em entrevistas que o trânsito na capital não tem solução definitiva. O que há, segundo o alcaide, são paliativos que ajudam a tornar a vida do rondoniense no tráfego menos difícil. Ao contrário de Mariana Carvalho, candidata tucana que criticou duramente a posição do petista, Vidal pensou no questionamento e calmamente concordou:

“ – Solução não há. Temos uma sociedade crescente num padrão econômico onde se enfatiza o transporte individual. Não acho que exista uma solução. O que pode existir sim é uma melhora considerável a partir de uma engenharia de trânsito mais valorizada partindo de uma educação mais enfatizada e fiscalização mais humana. É preciso valorizar a vida e não a multa. Podemos criar condições de trânsito. A mobilidade humana em Porto Velho exige adaptações a todo o momento. O Poder Público tem o dever de puxar a discussão e antecipar problemas e não só resolvê-los. Devemos criar na capital um grupo de estudos que antecipe problemas que poderão ocorrer daqui 20 anos e não que se veja obrigado a resolver os de 10 anos atrás”,enfatizou.

Por último, o político do PSOL falou sobre o relacionamento da religião com a política. Acredita que a religiosidade em si deve se apartar da administração, mas que, por outro lado, o religioso como cidadão e homem político não deve se separar dela.

“ – Religião é absolutamente separada de política. Porém, religiosos não podem se separar de política. O religioso como cidadão ao se separar da política também faz política, mas uma má política. Todos os religiosos devem se aproximar, seja qual for sua fé, pois terão comprometimento social tão grande quanto qualquer outro. Não pode haver confusão e misturar fé com questões político-partidárias. Se isso ocorrer, é ruim para o religioso, é ruim para a sociedade, enfim, para todos nós. O que não se pode conceber é uma administração religiosa”, asseverou.

VIDAL COMO CIDADÃO

O pastor Aluízio Vidal, como cidadão, se sente responsável pelo que ocorre na cidade. Por essa questão, pretende juntar o maior número de eleitores em prol deste mesmo ideal:

“ – Me defino como alguém responsável pelo que acontece na cidade; tanto nas coisas boas quanto nas ruins. Todas as cidades têm a cara de sua população e me sinto co-responsável pelo que ocorre aqui. Quero motivar as pessoas a não ficarem em casa avaliando prefeitos e vereadores, e sim participando ativamente da política como eu fiz ao me filiar e ao me candidatar. Quero ser cada vez mais cidadão, na máxima concepção da palavra. Quero motivar mais gente. Quero convidar as pessoas que tenham a consciência de que tapinha nas costas, cartazes e gasolina em época de campanha não ajudam resolver os problemas. Tudo isto só maquia a realidade por pouco tempo. A essas pessoas de consciência quero pedir o voto a mim e a outros criadores do PSOL. Ajudem, peçam votos e venham ao partido para discutir os pontos relevantes para Porto Velho”, finalizou .

Aluízio Vidal é candidato a prefeitura de Porto Velho pelo PSOL com o número 50.
 

Autor: Rondoniadinamica

Comentários do Site »

  • Domingos Torres 17/08/2012 22h:55

    Quero parabenizar as sensatas palavras do Pr. Aluízio, que mostrou sabedoria do ALTO em suas respostas, e mostra-se bastante ético em sua campanha, constrangendo-nos a ser mais participativos e envolvidos na POLÍTICA, e não pseudo-críticos dos "políticos".

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