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Publicado em 23/07/2012 13h:09 Atualizado em 23/07/2012 16h:49

Porto Velho está em 1º lugar no ranking de violência domestica, diz diretora

A diretora do Centro de Referência da Mulher Vítima de Violência, Sheila Dolores Tristão, foi à entrevistada desta segunda-feira (23), no programa A Voz do Povo, na rádio Cultura FM 107,9, apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá e retransmitido pela rádio Antena FM 98,3, de Alvorada do Oeste.

De acordo com a diretora, a violência contra a mulher é uma realidade comum na sociedade brasileira e que lamentavelmente Porto Velho encontra-se em 1º lugar no Ranking de violência domestica em nível de Brasil. No entanto, a Lei Maria da Penha (Lei 11.340) tem como função amparar a vítima e caracterizar a agressão como crime.

E prosseguiu:  A Lei n° 11.340, de 7 de agosto de 2006 cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do  Parágrafo 8° do art. 226 da Constituição Federal, da convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação contra as mulheres e da Convenção Interamericana para prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher; dispõe sobre a criação dos juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a mulher; altera a Código do Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências. Este artigo constitui-se de três partes: a violência e os esquemas iniciais, a segunda parte com relatos de observação na delegacia da mulher e numa casa de apoio às vítimas e a terceira com uma análise. Sheila Tristão acrescenta ainda que a lei Maria da Penha protege as relações maridos, namorados e ex-namorados e relações  homoafetiva femininas e qualquer cidadão pode registrar ocorrência independe se a vítima queira ou não.

No Centro de Referência, as mulheres são atendidas primeiramente pela assistente social, depois pela psicóloga e a advogada. O tempo de tratamento depende de cada caso. Alguns deles exigem um atendimento mais longo e visitas domiciliares. "O importante é que já nas primeiras entrevistas com a equipe do Centro a gente sente uma mudança de atitude. Elas entram com os ombros arqueados e de cabeça baixa e depois se mostram mais confiantes", garante Sheila.

Quando a mulher procura o Centro de Referência geralmente já passou por um grande número de humilhações, segundo Sheila. "A violência é um processo que começa com uma palavra ofensiva e outras atitudes desrespeitosas que vão crescendo até atingir o seu ápice que é a agressão física. Para quebrar este ciclo, a mulher precisa vencer uma grande barreira, já que o inimigo é a pessoa que ela escolheu para ser seu companheiro e pelo qual ela nutre um sentimento de amor", afirma a diretora.

Sheila explica que o objetivo do Centro não é provocar uma separação do casal, mas fazer com que a mulher se dê conta de que não pode se submeter a uma situação de humilhação e violência. "O nosso trabalho tem o objetivo de despertar na mulher sua auto-estima, para que não permita as agressões do companheiro".

  "É importante ressaltar que o homem que desrespeita a companheira também atinge os filhos, porque além de ataques físicos, também tem que se considerar as agressões psicológicas, sendo que o filho que presencia o pai batendo na mãe pode se tornar um agressor, perpetuando a violência", segundo Sheila. A Lei 11.340, conhecida como Maria da Penha, relaciona também as agressões: patrimonial (quando o homem se recusa a prover a família), sexual, física, e moral, e todas estão sujeitas a penas especificadas em lei.

Sheila informa que o álcool e as drogas são um dos principais motivos para a violência doméstica, algumas mulheres justificam que o homem e bom pai e marido só que quando estão sob efeito do álcool ou das drogas, transforma-se em outra pessoa. Em Porto Velho é possível observar que nos dias de quarta-feira após os jogos de futebol e durante os fins de semanas os números de ocorrências aumentam.

A diretora acrescenta ainda que a violência doméstica não tem cor, não tem raça e nem muito menos grau de escolaridade, qualquer homem pode ser um agressor. O filho que cresce vendo o pai batendo na mãe cresce achando que é natural bater em uma mulher. A cada instante temos uma mulher morta por mês em Porto Velho. 

Autor: Laila Moraes