RONDONOTICIAS segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020 - Criado em 11/10/2001

BOLSONARO, CAJADADA EM 3 COELHOS: DESASSOSSEGO DE MORO


Por Antônio de Almeida

25/01/2020 11:13:09 - Atualizado


Dividir em duas bandas, como quem parte uma melancia, o Superministério da Justiça, Segurança Pública e Cidadania, criado e estruturado para abrigar o ex-Juiz Federal Sérgio Moro, e, desta forma, esta superestrutura que fora criada para combater a corrupção endêmica do Brasil está sendo ameaçada em ruir e, assim, ser dizimada.

Por esta situação vexatória o atual Ministro Sérgio Moro jamais espera e, ao menos passou por sua cabeça que ao deixar a confortável condição de Juiz Federal da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, em Curitiba, com estabilidade e salário privilegiado para o resto de sua vida, para atender a um convite do presidente eleito Jair Bolsonaro para assumir um Superministério da Justiça, incluindo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras - COAF, Polícia Federal (PF) e Ministério Público (PGR) e Segurança Pública (uma espécie de um Super-Homem) e, ao mesmo tempo, “ficar com superpoderes, estar e ser amigo do Rei”, com perspectivas de num futuro bem próximo ser até indicado para ocupar uma vaga como Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).  

(O Super-Homem).

        Convite-feito, convite-aceito. Até aí, tudo ocorreu como programado, sabendo-se que nem tudo foram flores, até então. Fontes palacianas vazaram que num passado recente, em determinada ocasião o superministro Sérgio Moro seria exonerado, por motivos outros – divergir ou discordar do presidente Bolsonaro, quando esta ação não se concretizou graças a interveniência do General Augusto Heleno, Ministro-Chefe de Gabinete Institucional de Segurança Institucional.

QUAL A LEITURA A SER FEITA?

         Qual a leitura que pode ser feita sobre esta mudança abrupta que o presidente Jair Bolsonaro está endossando e tentando reduzir os superpoderes e cortar as asas do ministro Sérgio Moro, com a redução da estrutura da pasta do Ministério da Justiça, Segurança Pública e Cidadania e, consequente, redução de sua autonomia e de capacidade de voar?

QUEM SE ARRISCA A UM PALPITE?

            Na política e no mundo dos interesses socioeconômicos as coisas nem sempre funcionam de acordo com os princípios morais e éticos, preconizados de acordo com o que recomenda o Código de Ética e de Bons Costumes. Funcionam seguindo a lógica do adágio popular: “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Palavra nem sempre é feita para ser cumprida. Tudo se torna muito vulnerável e relativo e seu tempo de validade pode ter um tempo muito curto de segurança.

TSUNAMI DE PROBLEMAS

Tsunami de problemas políticos com muita água

 para passar neste túnel.

            Não é novidade para ninguém que o presidente Jair Bolsonaro tem uma tsunami de problemas jurídicos iminente a bater à porta de membro de sua família e que mais cedo ou mais tarde as águas irão molhar toda a residência e que graves problemas terão que ser enfrentados, a curto e a médio  prazos, principalmente aqueles provenientes dos possíveis desfechos das investigações das movimentações financeiras consideradas atípicas ou esdrúxulas  do Senador Eduardo Bolsonaro, filho primogênito do presidente Bolsonaro, que estão sendo realizadas junto à Procuradoria Geral da República (PGR), junto ao Ministério Público Federal e em outras instâncias, no âmbito de áreas na seara do Ministério da Justiça, Segurança Pública e Cidadania, sob a responsabilidade do ministro Sérgio Moro e que o presidente Bolsonaro já deu sinais matérias que não irá abrir mão em defendê-lo, com unhas e dente, mesmo sabendo dos desgastes e das consequências que terá que enfrentar.

MATAR 3 COELHOS COM UMA SÓ CAJADADA

  Se ousássemos e nos tornássemos  um pouco mais afoito poderíamos até afirmar que o presidente Bolsonaro está tentando matar três (3) coelhos com uma só cajadada: no primeiro momento, poupar e evitar desgastes do ministro Sérgio Moura, ao tentar defender e isentar o Senador Eduardo Bolsonaro e até livrar-lhe de uma possível cassação e, no momento oportuno, fazer a nomeação de Sérgio Moro para assumir uma vaga como Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF);  no segundo momento, mudar a cúpula da Polícia Federal, Regional e Nacional, como mecanismo para abrandar os trâmites das atuais investigações sobre o Senador Eduardo Bolsonaro; em terceiro momento, reduzir os superpoderes do ministro Sérgio Moro e, assim, evitar o seu crescimento político para não ofuscar o seu projeto político, com vistas à reeleição de 2022.

DESASSOSSEGO E DELÍRIOS

Com a cara de Dom Quixote de la Mancha

Como tudo isto que vem ocorrendo com o atual ministro Sérgio Moro acredita-se que suas noites estarão sendo recheadas de incertezas, cor certeza, e seu futuro profissional e sua vida pessoal devem ter se transformado em um verdadeiro desassossego, com sonhos recheados de pesadelos e de miragens, dignos dos delírios de Dom Quixote de La Mancha, da obra de Miguel de Cervantes Saavedra, ao tentar alcançar os moinhos.

Ao se consumar o que vem realmente sendo veiculado na imprensa, no que tange o esvaziamento do ministério de Justiça, Segurança Pública e Cidadania eu não tenho nenhuma dúvida de que o atual ministro Sérgio Moro colocará a sua viola no saco e vai tocar em outras freguesias: exercer suas atividades profissionais jurídicas e de magistério em sua cidade Curitiba, no seu estado Paraná de onde nunca deveria ter saída para brigar com cobras e lagartos e não ser reconhecido por seus méritos e respeitado como tal.

            Antônio de Almeida Sobrinho é Engenheiro de Pesca, com Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente e presidente de Honra da Academia de Letras de Jaguaruana – ALJ-CE e escreve semanalmente nos seguintes Portais de Notícias e com matérias replicadas em diversas mídias sociais eletrônicas.


Os comentários são via Facebook, e é preciso estar logado para comentar. Os comentários são inteiramente de sua responsabilidade.